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| Justin é um garoto de 17 anos, introspectivo, tÍmido e que tem o hábito de chupar o dedo. Todos nós tivemos/temos ou teremos um hábito especifico: comer a unha, arrancar cutículas, balançar a perna sem parar. Ou seja, todos nós somos passiveis de um comportamento involuntário e já passamos por períodos de introspecção e timidez. Há algo de errado conosco? Bem, se você estiver se sentindo impaciente, se não conseguir terminar o que começa, não quer ficar só, porém não gosta de multidão. Bem vindo ao mundo dos Hiperativos, ou transtorno de déficit de atenção com hiperatividade. Como bem explica o filme IMPULSIVIDADE de Mike Mills, baseado no romance de Walter Kirn. Este é o mundo de Justin: a transição entre (os conceitos) normalidade e anormalidade. E o grande ganho da história é justamente ir subvertendo esses parâmetros. Seja com o dentista em busca de redenção, a mãe em busca de futilidade e sonhos, um irmão em busca de atenção, um pai lidando com a frustração diária e a garota "certinha e gostosa" do colégio, correndo riscos e experimentando sensações fora do "normal". O filme mostra como cada um é único em suas complexidades. Ao acreditar - por ter sido diagnosticado - ser doente, Justin começa a tomar um remédio (Speed), dito como uma droga que se diferencia da cocaína apenas por 3 tipos de moléculas. A base de estimulantes Justin se torna ativo, falante e desenvolve sua capacidade de raciocÍnio. De "garoto enxaqueca" - alguém se lembra desse personagem da MTV? - passa a garoto prodígio. E é ai que mora o mérito do filme. Na transição desta passagem Justin começa a compreender e questionar sua família e os que o rodeiam. Entra em choque com o pai, dúvida da mãe, experimenta drogas, prática sexo, bebe álcool e dialoga com o irmão. Um pós-adolescente normal, com todos os problemas básicos pertinentes a essa faixa etária. " Somos todos viciados em algo. Talvez uma idéia de nós mesmos ou nossas vidas. Talvez em alguma idéia de sucesso ou fracasso.", a frase proferida pela mãe de justin em determinado momento só sentencia o óbvio, e embora o roteiro se torne piegas e com um certo tom didático, é despretensioso e foge do frenesi presente em filmes hollywodianos do gênero. IMPULSIVIDADE guarda boas surpresas como o encontro de Justin com o astro de televisão que a mãe admira. Quando Justin começa a encarar sua vida "de frente" surge uma oportunidade que o fará mudar de vida. Nesse momento o filme toca fundo, porque ás vezes quando nos tocamos do que temos - ou tivemos - ao redor, já não há mais tempo para aproveitar. Perdemos o momento da descoberta do outro. Cada um segue seu caminho e embora resida nessa confirmação muita tristeza e solidão é justamente nela que se encontra a grande magia da vida: a visualização de sua própria estrada.
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